Por ser um tema até hoje discutido apenas “a boca pequena” pela maioria das pessoas, a sexualidade continua sendo um terreno extremamente fértil para o cultivo de inúmeras “lendas” sem nenhum fundamento.
“Libido” como sinônimo de “disposição para trepar” é uma dessas lendas. O termo libido é muito antigo e sempre esteve associado basicamente à idéia de “energia vital” de cada indivíduo. Seu uso mais recente deriva de Freud que também associou libido basicamente com “energia vital”, energia da qual deriva, inclusive, a energia sexual do indivíduo mas que é também fonte de energia para todos os outros campos de atividade humana. Libido é essencialmente “desejo”, que, é claro, é muito mais do que “desejo de fazer sexo”.
Entretanto, quando dizem por aí que a “libido” de alguém está “baixa” a idéia geral é de que o indivíduo não está a fim de fazer sexo – e pronto. Só que está longe de ser simples assim. Sendo libido “energia vital” ou “desejo” pode acontecer simplesmente que a libido de uma determinada pessoa esteja direcionada para outros objetivos e objetos considerados por ela como mais importantes no momento e que, em princípio (e aparentemente…) não têm nada a ver com “fazer sexo”. Nesse caso, não é que a libido do sujeito esteja baixa: – ela está apenas direcionada para “outros alvos” que não são, em si, alvos “sexuais”. Além do que a “libido” pode estar “estacionada” (catexizada) em um evento ou sentimento ruim e desconfortável, ou seja, está sendo usada para alimentar desprazer, em vez de proporcionar conforto e realização (como no caso de um luto interminável…)
Em princípio, não há nada de errado em não se querer fazer sexo. Mas o que leva a gente a pensar, é que a natureza montou a coisa de tal maneira que o ato sexual possibilita ao ser humano algumas das sensações mais agradáveis que ele pode experienciar. O relatório Kinsey, primeiro estudo sério sobre a sexualidade humana, apontou a existência de indivíduos que realmente não demonstram o menor interesse ou entusiasmo por sexo, mas não devemos nos dar por satisfeitos com essa conclusão – e pronto.
Devemos examinar criteriosamente os motivos que estão contribuindo para essa “falta ou ausência de apetite sexual”, como gostam de dizer por aí. As razões podem ir desde algum “desvio” da programação genética original (situações raríssimas) até a simples escolha inadequada de parceiros ou posições para se fazer sexo. Mas a lista é interminável: – questões não resolvidas de identidade de gênero, traumas físicos (que prejudicam a funcionalidade do organismo) ou psicológicos (estupro, incesto, etc), distúrbios neurológicos e hormonais, estimulação mal feita, “dor” sentida durante o ato, etc, etc, etc.
Na absoluta maioria dos casos, o desinteresse por sexo está associado a fatores socioculturais e psicológicos, sendo extremamente baixo o percentual de desinteresse motivado por fatores genéticos, anatômicos e/ou fisiológicos.
PS – Outra “lenda” que corre solta é a que relaciona ato sexual com penetração e orgasmo. Um sexo confortável e recompensador está longe de depender de penetração ou até mesmo de orgasmo!!! Aliás, como nas técnicas “tântricas”, quanto mais adiado puder ser o orgasmo, mais gozo o ato sexual irá propiciar aos parceiros.




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Revelar-se é Preciso! Boa Viagem.

