Ao nascer (ou até muito antes disso, ainda no útero de nossas mães…), com base exclusiva no órgão genital que trazemos entre as pernas, somos enquadrados em uma das duas únicas categorias oficiais de pessoas que a sociedade “autoriza” existir nesse mundo. Quem nasce macho, isto é, com um pinto, é chamado de homem e quem nasce fêmea, ou seja, com uma vagina, é chamado de mulher. Embora baseada tão somente no órgão genital do bebê, essa rotulação condiciona, de maneira drástica e definitiva, tudo o que o recém-nascido poderá ou não fazer da sua vida durante sua (breve) estadia neste estadia nesse planeta. Através dessa apropriação do “sexo biológico” e de sua transformação em “sexo social”, a Sociedade cria e mantém o mais poderoso dispositivo de controle sobre os seus membros: Leia mais

  • Transgêner@s e a Revolução Masculina (22-12-2012)

    A principal característica da pessoa transgênera, seja macho ou fêmea, é a sua relutância, sua resistência e sua insistência em não se comportar estritamente de acordo com os padrões de conduta socialmente exigidos dos membros do gênero que lhe foi atribuído ao nascer, exclusivamente em função da sua genitália. O macho transgênero, com raríssimas exceções, busca expressar sua identidade vestindo-se de mulher ou, no mínimo, usando roupas, calçados e/ou adereços que afrontam claramente os padrões masculinos de vestuário normalmente aceitos. De várias formas e em muitos sentidos, ele tenta usurpar das mulheres certas prerrogativas que hoje são exclusivamen...

  • Mamãe não quer (21-12-2011)

    Letícia, por favor, me ajude. Sou uma pessoa transgênera, de 39 anos. Minha melhor definição seria uma "cd de armário", embora eu considere haver algum traço de transexualidade em mim. Na verdade, a condição que mais se adequa a mim seria aquela definição da "autoginefilia", pelas características dessa condição. Mas o motivo que lhe procuro não é buscar um enquadramento ou definição do que eu sou. Meu problema é o estado em que estou vivendo. Vivo numa situação sufocante. Moro com minha mãe, que não sabe nem desconfia da minha condição. Ou, se sabe de algo, finge não sabe. Dependo dela inteiramente, inclusive do ponto de vista financeiro. Mas ela é o...

Armário: refúgio ou armadilha?

Para a maioria das pessoas com identidade de gênero sócio-discordante ou “transgêneros”, particularmente o segmento conhecido como “crossdressers”, o armário é tido como a única saída. Em contextos sociopolíticos altamente transfóbicos como o que vivemos, ele se insinua como uma forma tranquila e segura de sobrevivência. Mas não é. Não existe cidadania plena e muito menos dignidade humana para quem vive permanentemente coagido a ser Leia mais →

Estigma, Auto-estigma e Invisibilidade Social dos Crossdressers

Uma das consequências da Revolução Feminista, iniciada em meados do sec. XX, é o surgimento do conceito de  gênero como categoria independente de análise da sociedade. Até então, o gênero estivera atrelado ao determinismo do sexo biológico e da orientação heterossexual compulsória. Isso significava que, se você nascesse macho deveria ser homem, ou seja, pertencer ao gênero masculino, e ter orientação heterossexual, ou seja, interessar-se Leia mais →

Crossdresser: Um Outro Paradigma para a Masculinidade

Em um mundo fundamentalmente patriarcal e machista, um homem vestido de mulher representa uma clara subversão e enfrentamento à ordem vigente, certo? Errado. A maioria dos homens que se vestem de mulher, no grupo dos chamados “crossdressers”, não têm nada de revolucionário. Muito pelo contrário, são quase todos “reacionários de carteirinha”, imbuídos do mais puro, e decadente “espírito da masculinidade”. O que estão tentando fazer, Leia mais →

Onde Comprar Roupas e Calçados…Femininos

Alguém me pediu a indicação de “lojas físicas” onde “crossdressers” sejam atendidos como “pessoas normais”, e possam sentir-se à vontade para comprar roupas e calçados femininos, sem qualquer constragimento. Por ser um tema que sempre desperta o interesse de toda a população de crossdressers e demais pessoas transgêneras, transcrevo abaixo a resposta que lhe enviei. Minha resposta é simples e direta: em qualquer lugar onde Leia mais →